segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

GESTÃO DE UM GGI-FRON

GGI – FRON: GESTÃO PARA A EFETIVIDADE "EM FRONTEIRA"  (PARTE 1)

       O desenvolvimento de políticas públicas voltadas à fronteira adotadas pelo Governo Federal, através do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), impulsionou o olhar sobre o aspecto de subsidiariedade entre os poderes Federal, estaduais e municipais.  No ano de 2010 a concretização da Polícia Especializada de Fronteira (Pefron), articula a parceria entre a União e Estados objetivando a repressão e prevenção a delitos transfronteiriços através da qualificação destas ações, além de instrumentalizar a política proposta. No ano de 2011 o Decreto Federal 7.496 institui o Plano Estratégico de Fronteiras criando uma importante relação entre segurança pública e defesa e, fundamentalmente, propondo o estabelecimento de relações com os países vizinhos para o fortalecimento da prevenção, controle, fiscalização e repressão dos delitos transfronteiriços e dos delitos praticados na faixa de fronteira brasileira.   

       Este conjunto de normas passa a ratificar a necessidade de uma coordenação nacional do conjunto de atores que passam a figurar neste sistema de forma a desencadear ações concretas de controle no espaço fronteiriço. O alinhamento de uma política pública nacional possibilita a continuidade das ações, a sua qualificação através formalização de parâmetros administrativos operacionais que orientem, avaliem desempenho e agreguem valor e qualidade ao serviço prestado.     

        A ação policial em área de fronteira deve trazer como parâmetro orientador a qualidade de vida do cidadão regional que vive na faixa de fronteira e circula entre os países, tratando o delito como fenômeno inerente à sua interação, para em razão disto, se chegar ao enfrentamento dos crimes peculiares a cada região. A visão que se desenvolve nesta circunstância é de que os delitos afetam às comunidades dos países envolvidos e que o controle das fronteiras não deva fomentar o preconceito em relação à nacionalidade do cidadão que por ela circula. Portanto, Políticas Públicas relacionadas à fronteira não se caracterizam como fechamento do espaço público. Supondo-se, portanto, que o resguardo da cidadania regional, abriga o grande desafio da visão estratégica que possa ser proposta pelo Governo Federal já que se fundamenta no respeito aos direitos humanos de uma comunidade regional. Neste sentido, a Decisão Nr 16 do MERCOSUL, que trata da Segurança Regional, já frisava que a transnacionalidade constitui grave ameaça à segurança regional afetando a consolidação de um espaço integrado em que prevaleça a ordem e o respeito aos valores democráticos. Tratando, desta maneira, de unir a preocupação dos povos com relação aos delitos que afetam às comunidades, independente de sua nacionalidade.
      De outra maneira, dentro da criação de canais de diálogo, observa-se  a necessidade uma rotina que conecte União, Estados e Municípios e consequentemente, os componentes da área de Defesa e Segurança Pública  no  desenvolvimento de uma política pública que mesmo centrada em segurança permita a transversalidade com a educação, saúde, relações internacionais, turismo, transporte, energia, meio ambiente, dentre outras. Ou seja, pelas interações fundamentais para o sucesso de um Programa Governamental, não se trata de um trabalho “de fronteira”, mas sim, uma ação conjunta de cooperação e coordenação “em fronteira”.

       Pensar em ações de polícia em área de fronteira, diante da sua complexidade, requer uma adequação a ferramentas de administração que norteiem a condução da proposta. Por isto, o planejamento estratégico para o GGI-Fron é identificado como uma técnica administrativa de ordenação de ideias pela qual se permita ter uma clara visão de onde se está e de onde se quer chegar, criando um espaço de liderança conjunto entre países, estados e municípios. A base deste posicionamento encontra-se na visão sistêmica e exploração das potencialidades, determinadas pelo conhecimento, pelos canais de comunicação, pela sua capilaridade, qualidades técnicas e agilidade.   


PARTE 2 – CONCEITOS BÁSICOS, PERSPECTIVAS E DIAGRAMA ESTRUTURAL;
PARTE 3 – EIXOS DO GGI FRON, VISÃO ESTRATÉGICA, PRINCÍPIOS E VALORES;
PARTE 4 – TOMADA DE DECISÃO E MÉTRICAS PARA O GGI-FRON;
PARTE 5- MAPAS DE FOCO PARA O GGI-FRON


Autor: Sérgio Flores de Campos ( sergiocampos@superig.com.br)



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

UM ÚLTIMO DISCURSO PARA O FIM DE UM CURSO DE GESTÃO DE POLÍCIA


        E então se estabeleceu uma relação mais afinada com o pensamento de gestão de políticas públicas como se aquilo fosse novo. Desta maneira, imaginar que o mundo muda e que isto nos afeta diretamente talvez não seja só uma dolorosa necessidade de reflexão, está adiante disto, é uma dolorosa necessidade de adaptação na medida em que se deve reaprender. Assim, alguns se sujeitaram à dor. Alerta-se para o momento especial de estar em uma Escola e perceber que toda e qualquer mudança ocorre a partir do Ensino.
       Para tanto se propôs, num ímpeto de idealismo, que se deveria tratar de uma repactuação, algo como um resgate à cidadania corporativa para o bem da Organização, porém haveria uma cruel, mas inexorável, exigência: de enfrentar as zonas de sombra da própria cultura corporativa. Bem ou mal se chegou a uma Carta de propostas e os primeiros efeitos foram os questionamentos, as ideias (ora do choque das pedras surgem faíscas) e, ao fim, se interpretou a organização ao seu tempo e espaço. Frisa-se ainda por mera constatação, nada mais petulante do conhecimento mau utilizado.

       Escreveu-se, certa feita, sobre a temporariedade da ordem pública num texto chamado DANIEL FOI PRESO POR FALAR ALEMÃO (http://www2.forumseguranca.org.br/node/24022), onde era descrita a prisão, na década de 40, de um cidadão que foi surpreendido falando alemão (plena 2ª Guerra Mundial). Ali esta plasmada exatamente esta necessidade de compreender-se o ambiente, as organizações e o seu tempo. Mas isto passou, porém não se deu conta que, pela incapacidade de compreender o mundo, Danéis poderiam continuar sendo presos. Num rumo (em uma relação metafórica) semelhante ao encontrado no livro A Questão do Estado no Coração do Futuro (Calame e Talmant) onde nos é lembrado que os dinossauros pereceram por não se adaptarem às mudanças do mundo. Ou seja, é o destino marcado para uma organização policial (que nada mais é senão o reflexo de seus gestores) que não soube se despir de preconceitos, individualismos e idéias surradas e continua a “prender pessoas por falarem alemão”.


       Encerra-se, portanto, o ciclo da entidade transcendental sobre quem recaía o dever de resolver os problemas vividos. Não há mais espaço para transferir ao outro, o protagonista é o profissional em seu espaço, contudo, se há demasia na responsabilidade, o problema ainda é de todos e principalmente teu. Eis o problema posto e lembrem-se de Mário Quintana dizendo que o Problema do teu Problema é que ele é só teu, porém isto não quer dizer que não possa ser resolvido compartilhadamente. Diante da profunda necessidade de novos conhecimentos e práticas, acredita-se que para nós medianos profissionais reste dar espaço para o novo.

        De toda sorte, ainda se conseguiu vivenciar as relações em fronteira entre países nesta caminhada. Isto foi fundamental para se perceber o efeito da transposição em nossas vidas. Quando ultrapassamos fronteiras, transitamos pela angústia do desamparo em um espaço diferente, logo em seguida, nos damos conta que as relações de cidadania se mantém mesmo ouvindo uma língua diferente. Fomos e voltamos renovados e com uma lição nos olhos: não podemos subestimar, pois há muita coisa para conhecer e respeitar. Assim, retorna-se ao resgate da cidadania institucional ao falar de fronteiras e de relações humanas, para tanto, oferta-se aos corações idealistas as palavras do Gaucho Martín Fierro (de Jose Hernandez):


Los hermanos sean unidos
Esa es la ley primera
Tengan unión verdadera en cualquier tiempo que sea,
Porque si entre ellos pelan los devoran los de afuera.


Erfolg (sucesso) aos que permanecem e às novas ações públicas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

1º WORKSHOP GROTIUS COOPERAÇÃO NAS FRONTEIRAS - 2º DIA

             No segundo dia dos trabalhos uma questão importante direciona os debates em torno da cooperação em entre os países: A América do Sul está preparada para os avanços jurídicos necessários para aperfeiçoar as relações em fronteira?

            Na verdade o respaldo jurídico constante na Convenção Interamericana, Protocolo de São Luiz e Protocolo de Ouro Preto passam a orientar decisões nas relações transfronteiriças.

            Importante destacar que as posições dos palestrantes conduzem à construção de um sistema composto por entes que convergem para a resolução de conflitos em áreas de fronteira, de forma a integrar e manter um sólido canal de comunicação. Não se pode pensar em avanços nesta área mantendo-se as instituições isoladas.

            As soluções, então, passam pela aproximação dos profissionais através de reuniões periódicas; treinamento e um profundo debate em torno da própria legislação brasileira sobre as relações com os Países vizinhos diferenciando as exigências estabelecidas para países fora da América do Sul.  

            As conclusões, na esfera de Defesa e Segurança Pública, direciona-se para um importante aspecto: o sucesso dos esforços em fronteira somente ocorrerá com avanços estruturais para as comunidades da fronteira, ou seja, não é suficiente a repressão ou a ocupação preventiva, necessita-se dar condições renda para estes cidadãos para que não sejam cooptados pelo crime organizado.

             De forma sucinta foram trazidos estes aspectos, porém a importância deste evento, do Ministério da Justiça, está na percussão de uma série de iniciativas conjuntas neste tema, já encaminhando-se outro encontro para o ano de 2012. Deixo o testemunho, das conversas informais do grupo de trabalho, que houve uma provocação para produção de uma atitude proativa nos espaço de competência dos profissionais para busca de soluções locais, independentes do que possa advir nas mudanças futuras da legislação. 

             

             

          
             

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

WORKSHOP GROTIUS COOPERAÇÃO EM FRONTEIRAS - 1º DIA

                Ocorre em Brasília o 1º Workshop Grotius Cooperação em Fronteiras (05 e 06 de dezembro). Uma iniciativa do Ministério da Justiça através da Secretaria Nacional de Justiça. No primeiro dia de palestras e debates algumas conclusões que reforçam os esforços já em andamento para as regiões de fronteira: 1) o Fundamento para as iniciativas governamentais nas relações fronteiriças está no respeito à dignidade humana pela contínua promoção das garantias individuais através do acesso internacional à Justiça; 2) A ordem jurídica global é baseada na cooperação; 3) A Integração exige o reconhecimento das decisões jurídicas de outros países. 
                   Algumas das propostas apresentadas:

- Forças Tarefas Interinstitucionais,
- Redes de Cooperação,
- Cooperação entre as Polícias e entre os Ministério Públicos dos Países Vizinhos,
- A Inclusão de Disciplinas, nos cursos de formação, voltadas às relações internacionais.
 - Os órgãos públicos, cuja responsabilidade abrangem relações com países vizinhos, devem estabelecer canais de comunicação com órgãos afins nestes países.
                                               

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PESQUISA DE VITIMIZAÇÃO

A organização Ciudad Nuestra ( Lima, Peru) desenvolve um espaço de convergência entre governo e sociedade objetivando a segurança cidadã, mobilidade urbana, dentre outros pontos.  

A Organização tem apresentado importantes trabalhos como :

Primera Encuesta Metropolitana de Victimización 2011 - Lima

http://www.ciudadnuestra.org/primera_encuesta_metropolitana_de_victimizacion_2011__lima.html



Exemplos que qualificam as políticas públicas e demonstram a capacidade de coalizões entre os setores público e privado.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PRODUCTION ENGINEERING AND PUBLIC POLITIC MANAGEMENT OF SECURITY




The social transforming demand changes in the models of public administration affecting too, the public politic management of security. This requirement finds in Production Engineering elements capable to support to this reality. The present work, based on the bibliography research, brings to the reflection the incorporation of the Production Engineering to the Public Administration, specifically at the administration of the service of the police.  Because of the large area of applicability  was chosen to direct the study to quality management with the creation of parameters for measuring performance in the public service provision.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

DOS MITOS E DA DECADÊNCIA DE UMA INSTITUIÇÃO POLICIAL






            Um termômetro interessante para medir a fase descendente de uma polícia é analisar a sua dificuldade:  
[...] de reavaliar sua fronteira com o ambiente, o que implica em mudar valores, crenças e estratégias; aceitar e reconhecer novas informações, dados e experiências, tanto do público interno quanto externo, que poderiam fornecer os subsídios para a mudança. Ziemer (1996, p.25)

             A adaptação a um ambiente complexo  precisa ter como nascedouro a percepção da transição das caracteristicas de organização autocrática, tido como superado, para um modelo sistêmico, apresentado como de possível atendimento às necessidades do ambiente interno e externo  ( ZIEMER, 1996):
 - AUTOCRÁTICA : centralizadora, política, busca relações de poder, carreirismo, baixa auto-estima determinando o isolamento, os fins justificam os meios;
- SISTÊMICA: descentralizada, meritocrática; busca parcerias, democráticas, decorrente da auto-estima e valorização pessoal; promoção é consequência de mérito e reconhecimento coletivo; comportamento autônomo, criativo, sintonizado com a visão estratégica da organização; organização aberta ao ambiente externo; ética: os meios são indissociáveis dos  fins.  
          Nesta concepção, ocorre do enfrentamento dos mitos disfuncionais: que envolvem o distanciamento entre o que se fala e o que se faz; encobrimento de problemas, vinculação de mitos com uma possível perda de identidade, a suposição de que não há soluções, a força de mitos pessoais de profissionais mais antigos.   
           A questão, desta forma, está na iniciativa de transformação na organização policial que pode ocorrer de três formas:
                      - Iniciativa política ( externa );
                      - Iniciativa da própria organização;
                      - Iniciativa conjunta da liderança política e institucional.
           As formas de mudança, que envolvem os mitos da organização, são classificadas em:
                      Analítica – utilização de um modelo já testado, realizado de forma unilateral;
                      Participativo –utiliza a investigação empírica e no consenso de grupo;
                      Imperativo – mudança pela ação da liderança com base na autoridade;
                        Emergente- advém da criação ou aceitação de uma nova idéia originária de um líder  ou um grupo.
                   Então, a pergunta é:  qual o momento para adoção de um novo modelo de gestão e a revisão de processos?

ZIEMER, Roberto. Mitos Organizacionais. São Paulo: Atlas, 1996.